Por cima do nariz ele observava o movimento da rua. As vezes alguém lhe dava um pouco de comida ou jogava um resto de alimento estragado.
O sol de meio dia queimava o seu corpo deitado em cima de um pedaço de papelão sujo e velho. Machucado de tanto apanhar.
Ao cair da noite foi lentamente caminhando com fome atrás de alguma coisa para saciá-la depois de um dia cumprido.
Chegou a um depósito de lixo e foi fuçando qualquer coisa que servisse para comer. Encontrou um pedaço de carne suculento e o comeu. Em seguida voltou para sua rua deitar no pedaço de papelão, deitou com as orelhas empinadas, o focinho comprido sentiu o odor e logo passaram outros cães. Fugindo de algo.
Não se importou fechou os olhos, pronto para descansar. Acordou dentro de uma grade, ouviu cachorros latindo e voltou a dormir, quando acordou novamente viu um pouco de comida e água, comeu e bebeu.
Deitou, olhou pela sua grade e dormiu mais uma vez. Ficou naquele lugar por anos tendo a mesma rotina diária sempre, a mesma que todos os outros cães, nunca nada mudou.
Com a idade chegou ao fim da vida, mas antes pensou: queria ser diferente e podia ter sido, se tivesse fugido com os cães que passaram antes dele ser capturado ele não teria ido parar naquele lugar, se não ficasse sempre no mesmo lugar sempre. Enquanto teve a chance não fez e depois que foi preso nem tentou.
O remorso de ter perdido toda uma vida lhe fez morrer triste.
Essa é a vida do omisso. Aproveite enquanto tem a chance e mude, fuja do comum, não fique aí parado no mesmo lugar olhando os cães fugirem.
Aquele que é comum é fútil, pois o mundo está cheio desses.
Nenhum comentário:
Postar um comentário